Estava por estes dias ao telefone com um amigo que queria ajuda na escolha de uma prenda para uma pequena adolescente. Eu dizia, do lado de cá: «ela não gosta de livros, podes oferecer-lhe uma pulseira, uns brincos, roupa ou maquilhagem.» A Olívia, atenta à televisão mas com um ouvido “à espreita” vira-se para mim espantada e diz-me: «Não gosta de livros, mãe? Porquê? Ohhhh, mas é feliz?». Dias depois volta a perguntar-me, mal eu me lembrava do sucedido: «Mãe, ela não gosta de livros? Porquê?» E quem recebeu prenda fui eu. Três anos e meio de livros mordidos, rasgados, depois muito manuseados, agora abraçados e lidos, às vezes paredes e telhados de palácios e castelos resultaram num amor inabalável por este objeto mágico. A felicidade de ir a uma livraria ou a uma biblioteca. O entusiasmo quando um novo livro chega pelo correio. As histórias transportadas para o quotidiano para ajudar a explicar as suas dificuldades ou êxitos.
Hoje, depois de jantar, os bonecos cá de casa juntaram-se para a hora do conto. E quando o Pai abre o livro e diz: «Lemos os dois: eu leio as letras e tu as imagens» sorrio e percebo que o amor é uma construção. E que o nosso cimento está com uma boa consistência.
O livro lido é o Sid, de Jez Alborough e tradução de Ana Margarida Biscoito, publicado pela magnífica Poets and Dragons Society.
(Imagem patrocinada pela Nivea)
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