Cada estante, cada prateleira, cada lombada, contava a nossa
distância por entre o cheiro amarelecido e bafiento. Cada língua com os seus
sons estabelecidos falava de tudo o que existe no espaço que é nosso e que
heróis e rebeldes tomam emprestados em dias de temporal e galope, só para se
fazerem ser e para nos engrandecer o tempo. Leitores sedentos de corpo
perseguem-nos nas páginas de cantos humedecidos de tantos dedos em busca da
meada que enrolamos num capítulo que esquecemos. Uma labiríntica biblioteca, minha
e tua que, condescendentes, permitimos que qualquer Cervantes usasse.
