Tuesday, October 9, 2018



Cada estante, cada prateleira, cada lombada, contava a nossa distância por entre o cheiro amarelecido e bafiento. Cada língua com os seus sons estabelecidos falava de tudo o que existe no espaço que é nosso e que heróis e rebeldes tomam emprestados em dias de temporal e galope, só para se fazerem ser e para nos engrandecer o tempo. Leitores sedentos de corpo perseguem-nos nas páginas de cantos humedecidos de tantos dedos em busca da meada que enrolamos num capítulo que esquecemos. Uma labiríntica biblioteca, minha e tua que, condescendentes, permitimos que qualquer Cervantes usasse.