As pessoas gostam de reunir-se no deserto, porque há lá lugar. Tentam repetir as coisas que faziam em toda a parte e que, aí, lhes surgem como novas, pois o deserto é um cenário onde tudo sobressai, sobretudo se o sol é, por hipótese, dotado de propriedades especiais.
Emprega-se, frequentemente, o deserto. Arthur Eddington ensinou um processo para recuperar todos os leões que o deserto comporta: basta peneirar a areia e os leões ficam na rede. Isso tem outra fase — mais interessante: a fase da agitação. Mas acaba-se por ficar com todos os leões na peneira. Eddington esqueceu-se de que existem também os calhaus. Creio que, de vez em quando, vou falar em calhaus.
Boris Vian

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