Pelos meus nove e dez anos
Gostava de tocar à campainha dos prédios grandes.
Drrim… drrim… drrim…
Depois, fugia até à esquina, afogueado,
A disfarçar o medo.
Mas às vezes quando tinha mais vontade de viver que de fugir
Voltava para trás e espreitava…
Inquilinos em todos os patamares,
Uns olhando para cima e outros para baixo,
Primeiro rogando pragas ao acaso,
Depois interrogando-se,
Cumprimentando-se tardiamente,
oferecendo-se os serviços,
E dando-se de um certo calor alheio.
Tocar as campainhas…
Fiz isso em muitas ruas.
Era o modo que eu tinha de convocar a cidade
A encontrar-se, a perguntar-se, a dar-se as mãos e dialogar.
Gostava de tocar à campainha dos prédios grandes.
Drrim… drrim… drrim…
Depois, fugia até à esquina, afogueado,
A disfarçar o medo.
Mas às vezes quando tinha mais vontade de viver que de fugir
Voltava para trás e espreitava…
Inquilinos em todos os patamares,
Uns olhando para cima e outros para baixo,
Primeiro rogando pragas ao acaso,
Depois interrogando-se,
Cumprimentando-se tardiamente,
oferecendo-se os serviços,
E dando-se de um certo calor alheio.
Tocar as campainhas…
Fiz isso em muitas ruas.
Era o modo que eu tinha de convocar a cidade
A encontrar-se, a perguntar-se, a dar-se as mãos e dialogar.
Fernando Sylvan

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